CAN 2017 – PARTE 5 – GRUPO C

Costa do Marfim

Atual campeã da CAN, a fortíssima Costa do Marfim chega a sua vigésima segunda participação em fases finais da Copa Africana das Nações, depois de terminar na ponta do Grupo I das Eliminatórias para a CAN 2017, deixando para trás Serra Leoa e Sudão. Uma das seleções de maior tradição no futebol africano, os marfinenses esperam no Gabão, repetir as conquistas de 1992, quando no Senegal venceu pela primeira vez e a mais recente, em 2015, na Guiné-Equatorial, na conquista do seu segundo título, com um detalhe curioso, em ambas, o adversário era Ghana e as disputas foram nas penalidades após empates sem gol no tempo regulamentar e na prorrogação.

Em dois anos, muita coisa mudou no futebol marfinense, iniciando pelo comando técnico da equipe, Hervé Renard deu lugar a Michel Dussuyer e com esta mudança no comando, outras vieram em campo com a saída de muitos jogadores e a volta de rostos que não figuravam com intensidade no time, como Kodjia, Seri, Pepe e Kessie. Mas as ambições marfinenses seguem às mesmas dos anos anteriores, quando “Os Elefantes” se consolidaram como umas das principais forças do continente e um celeiro absoluto de valores, ao ponto por exemplo, de Serge Aurier, lateral do Paris Saint-Germain (FRA), de apenas 24 anos, ser considerado um dos “mais velhos” da equipe.

Experiente, Michel Dussuyer vem comandando a transição de talentos à frente dos “Elefantes” (foto: Sia Kambou/AFP)

Dos convocados para esta edição da CAN, apenas 10 participaram da conquista de dois anos atrás na Guiné-Equatorial. O treinador Dussuyer vem fazendo esta renovação, aproveitando a qualidade que tem à sua disposição e também como um velho conhecedor do futebol africano, com passagens importantes por Benin e Guiné. O treinador não poderá contar com Gervinho, que lesionado no joelho, é a grande ausência da sua equipe, que conta com a liderança de Salomon Kalou, peça de confiança do treinador junto ao elenco e neste momento de transição pelo qual a Costa do Marfim passa.

Provável equipe

Os convocados

Destaque

Olho no meio-campista Wilfried Zaha, que joga no Crystal Palace (ENG); um jogador moderno, que atua bem tanto na criação ofensiva, como na marcação. É uma das apostas desta nova geração de bons valores que surge no continente e que participará pela primeira vez da CAN. Assim, com calma e paciência, a Costa do Marfim vem lançando gradativamente uma nova geração que deverá seguir naturalmente os passos dos irmãos Touré e Drogba, mantendo a tradição do país de formador de grandes jogadores e um dos favoritos ao título.

República Democrática do Congo

Campeão em 1968 e 1974 (então como Zaire), a República Democrática do Congo, chega a sua décima oitava participação em fases finais da Copa Africana das Nações, com uma geração em ascensão no cenário futebolístico africano e que “corre por fora” podendo ser uma surpresa desta edição. Os congoleses classificaram-se em primeiro lugar no Grupo B das Eliminatórias, à frente da República Centro-Africana, Angola e Madagascar.

Treinada desde 2014 pelo treinador local, Florent Ibengé, após bom trabalho realizado no AS Vita Club, que juntamente com o TP Mazembe, são os maiores clubes da República Democrática do Congo. Ibengé levou a seleção, dois anos atrás, ao terceiro lugar na CAN 2015, disputada na Guiné Equatorial e tem executado um trabalho que atualmente mescla jovens de grande potencial, com jogadores experientes.

Florent Ibengé conhece como poucos a essência do futebol africano e vem realizando belo trabalho junto a RD do Congo (foto: Inforpress)

Os “Leopardos” como são chamados, chegam sob uma boa expectativa em torno de uma campanha que os alente ao real objetivo do ano: conquistar uma das cinco vagas para a Copa do Mundo da Rússia. E dentro deste objetivo, chegar às semifinais da CAN 2017 é algo que passa pela cabeça do treinador Ibengé, sendo claro, uma meta ousada, em uma chave difícil como é a dos congoleses. Porém, Ibengé não poderá contar com Yannick Bolaise, meia que atua no Everton (ENG) e que sofreu ruptura do ligamento cruzado do joelho direito no início de dezembro passado, sendo esta uma ausência muito lamentada pelo ótimo momento que o Bolaise vinha tendo.

Com um trabalho sério por parte da federação nacional, a República Democrática do Congo, vem conseguindo algo que a Argélia entre 2009 e 2010 conseguiu, com êxito: repatriar jogadores com dupla cidadania. Marcel Tisserand, Cédric Bakambu e agora Gael Kakuta (que não disputará a CAN por conta de prazos de inscrição, mas está avalizado pela Fifa a defender as cores congolesas) são alguns exemplos. Há uma onda de confiança muito grande entre os torcedores e a maior parte da imprensa no país em função de que na atualidade, a seleção congolesa, retomou o respeito que teve nos anos 70.

A incógnita fica por conta de uma posição que muitas seleções africanas sofrem: o goleiro. Após a aposentadoria do lendário Muteba Kidiaba, cabe,em princípio a Ley Mutampi, que atua no TP Mazembe e vem jogando com regularidade pela seleção, a responsabilidade de representar a escola de goleiros congolesas (considerada uma das melhores da África). Entretanto, Mulopo Kudimbana, que atua no belga Antwerp, é um goleiro experiente e que pode desbancar Mutampi.

Provável formação

Os convocados

Destaque

Após atuar em todas as categorias de base da França, Cédric Bakambu, optou por jogar pela República Democrática do Congo, da qual é um dos destaques. Aos 25 anos, o atacante do Villarreal (SPA) vive um grande momento em sua carreira. Jogador de muita velocidade, forma uma dupla de respeito com o experiente centroavante, Dieumerci Mbokani, um dos líderes do grupo e maior artilheiro entre os convocados, com 18 gols. Assim, a República Democrática do Congo, pode ser uma das (boas) surpresas da CAN 2017.

Marrocos

Tradicional representante do futebol africano da zona árabe, o Marrocos chega a sua décima sexta participação em fases finais da CAN, após liderar o grupo F das Eliminatórias para a competição, superando Cabo Verde, Líbia e São Tomé e Príncipe. Campeão em 1976, na CAN disputada na Etiópia, quando superou um quadrangular final que tinha a Guiné, Nigéria e o Egito. Após esta conquista o Marrocos viveu bons momentos nos anos 80 e 90, porém sem conquistar a taça continental.que esteve próxima em 2004, quando perdeu a final para a Tunísia e nos últimos anos, o futebol marroquino atravessa uma entressafra de talentos que não vem sendo bem sucedida, para tristeza dos fanáticos torcedores marroquinos.

Fora da CAN de 2015 por se recusar a participar da edição disputada na Guiné-Equatorial, devido a epidemia do vírus ebola, que assolava o continente à época. Para esta CAN, a esperança marroquina está no banco de reservas, com o treinador francês Hervé Renard, campeão continental com Zâmbia (2012) e com a Costa do Marfim (2015). Nos últimos anos, Marrocos acumulou diversos treinadores de 2005 para cá, sem conseguir uma sequência de trabalho. Com Renard as esperanças se renovam, inclusive em relação a uma conquista de vaga para a Copa do Mundo de 2018.

Bicampeão da CAN, com Zâmbia e Costa do Marfim, Renard espera no Marrocos, levantar seu terceiro troféu

Um dos méritos da equipe dirigida por Renard está na eficiência defensiva. Durante os últimos anos, o sistema defensivo dos “Leões do Atlas” tem se constituído em uma dor de cabeça aos seus comandantes, seguidas são as falhas e sobretudo em momentos decisivos. Embora haja uma empolgação com o trabalho, a capacidade mental e psicológica da equipe será, novamente testada; anos de decepções podem influenciar o grupo numa hora decisiva e isso é um dos desafios da atual comissão técnica, trabalhar este lado dos seus comandados.

Provável formação

Os convocados

Destaque

Um trabalho de três anos, que vem sendo desenvolvido pela federação marroquina, à exemplo de outras federações e que conta com o ex-craque El Mustapha Hadji como um dos homens-fortes desta empreitada é o recrutamento de jovens valores com dupla nacionalidade. Um dos frutos recentes desta metodologia de trabalho é o jovem de 23 anos, Sofiane Boufal, que era apontado por muitos como um nome à vestir a camisa da França. Recuperando-se de uma lesão, Boufal é uma das apostas de grande valor dos marroquinos. Jogador de bom drible e arremates geralmente sempre precisos, o ex-jogador do Lille (FRA), recuperado, pode ser um dos destaques da competição.

Togo

Em sua oitava participação em fases finais da Copa Africana das Nações, as “Águias do Togo” retornam novamente a competição, buscando alcançar às quartas de final e assim, igualar a melhor campanha, quando em 2013, foram eliminados na prorrogação pela seleção de Burkina Faso, na competição à época disputada na África do Sul. A equipe se classificou como um dos dois melhores segundos colocados, no grupo A das Eliminatórias da CAN, ficando atrás da favorita Tunísia.

Treinada pelo experiente treinador francês, Claude Le Roy, desde abril de 2016, a equipe togolesa, que ainda segue liderada pelo seu maior jogador, Emmanuel Adebayor, é uma incógnita em relação aos objetivos específicos da equipe para a principal competição da África. Fora da próxima Copa do Mundo (já foi eliminada de forma surpreendente por Uganda, nas Eliminatórias para o Mundial da Rússia), a equipe vive um momento de crise.

Profundo conhecedor do futebol africano, Claude Le Roy conta com o apoio da principal estrela de Togo, Emmanuel Adebayor (foto: Instagram/Emmanuel Adebayor)

Com um grupo bastante experiente, com nomes como Alaixys Romao, Mathieu Dossevi, Razak Boukari, Emmanuel Adebayor, Floyd Ayité e Kossi Agassa, jogadores que jogam há muitos anos na seleção e que são cientes que a CAN 2017 será senão a última, uma das últimas oportunidades de se reunirem representando o país e assim, como em 2013, quando também tinha um grupo complicado pela frente, porém de forma surpreendente avançou de fase. Reside aí a esperança do torcedor togolês.

Se por um lado, há a esperança de união, por outro não se pode nunca descartar os fatores extra-campo, interferindo diretamente na equipe. E com o Togo este risco é sempre eminente (basta recordarmos a greve dos jogadores de Togo durante a Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, na primeira e única participação do país numa fase final do Mundial). Prêmios por serem pagos, escolhas desportivas, egos à serem geridos, fazem com que o Togo seja este barril de pólvora às vésperas de qualquer competição.

Provável formação

Os convocados

Destaque

Líder natural da seleção e maior estrela do futebol do seu país, Emmanuel Adebayor, pode estar fora dos holofotes da mídia no cenário mundial, entretanto em seu país, ainda dá as cartas e goza de muito prestígio com imprensa e torcedores. Claramente a falta de concorrentes à sua altura, no selecionado nacional, facilita a sua vida. Entretanto, a sua experiência em campo, pode ser o fator decisivo para as Águias de Togo. Sem clube desde que deixou o Crystal Palace (ENG), na temporada passada, cabe a ele, dar a resposta que seus fãs esperam. Se estará no Gabão a passeio, ou disposto a fazer a diferença dentro de campo.

Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.