Tchê Tchê: versátil, moderno, pronto

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Foto: Tchê Tchê/Instagram

“O jogador palmeirense recebe a bola e os marcadores o cercam. Ele parece encurralado, mas mantém a calma e, num rápido movimento, esquiva-se, passa o pé direito por cima da bola, sai com elegância e dá continuidade à jogada, tocando de esquerda e encontrando um companheiro de time livre”.

O personagem da narrativa poderia naturalmente ser o atacante Gabriel Jesus, titular da seleção brasileira e estrela do Palmeiras, líder do campeonato brasileiro, mas não desta vez.

Trata-se de um atleta cuja posição de volante tradicionalmente requer contenção e proteção de zaga, fazendo com que o jogador seja muitas vezes associado a pouca habilidade e técnica necessárias para desempenhar a função. Contudo, é muito comum também a utilização de volantes habilidosos, facilitando a rotatividade dentro de campo. É desse tipo que estamos falando.

Desde que foi apresentado no Palmeiras, Tchê Tchê chegou, vestiu literalmente a camisa e não saiu mais do time titular. Polivalente e dono de uma disciplina tática contagiante, o volante vem se destacando a cada partida e já caiu nas graças do torcedor palmeirense, que enxerga em Tchê Tchê e em seu parceiro Moisés uma dupla com a qualidade que não vê desde que César Sampaio e Galeano atuavam pelo setor há mais de 15 anos.

Revelado pelas categorias de base do Audax, Tchê Tchê se profissionalizou em 2011. Depois de passagens por clubes como Ponte Preta e Boa Esporte, a jovem promessa, mais experiente, se encontrou e ganhou destaque na campanha do mesmo Audax, que culminou no vice-campeonato estadual de 2015 – o jogador foi eleito um dos melhores meias e a revelação do torneio. Pouco tempo depois, Indicado pela comissão técnica de Cuca, o atleta chegou ao Palmeiras.

Período de adaptação? Pra quê? Bastaram dois dias de treinamento para convencer Cuca de que o esquema tático do Palmeiras necessitava do dinamismo e a mobilidade de Tchê Tchê, um jogador que veio pronto, muito em virtude do trabalho com o técnico Fernando Diniz, no Audax.

Hoje, a cada atuação do volante, vê-se o dedo do ex-treinador. Adepto do coletivismo com toque de bola e movimentação constante, Diniz uniu a essência de seus métodos ao talento natural e incontestável do jogador, fazendo com que o garoto seja regularmente visto em todos os lugares do campo, defendendo, armando e finalizando com a mesma calma e classe com que distribui o jogo.

Um verdadeiro e útil coringa dotado de atributos que atiçam qualquer olheiro de clube europeu. Em um futebol moderno em que os treinadores optam cada vez mais pela versatilidade dos atletas, Tchê Tchê surge como alternativa tentadora a qualquer time do mundo que prioriza a filosofia do passe, da movimentação e da posse de bola.

Olho em Gabriel Jesus, mas sem deixar de ter atenção a Tchê Tchê. Sua trajetória em terras brasileiras pode ser curta, muito curta.

Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.